BA Day 2018 - Entrevista Ricardo Peters

BA-DAY 2018 - ENTREVISTA

Critérios de Aceitação

 

"So tell me what you want, what you really, really want."

 
     
 
Ricardo Peters
Ricardo Peters
 
     
 

Com o objetivo de conhecer um pouco mais sobre os palestrantes que participarão do BA-DAY 2018 resolvemos fazer algumas perguntas para eles. Confira abaixo as respostas.

P: Em sua experiência, quais foram as principais dificuldades encontradas em aplicar os conceitos de agilidade em sua organização?

Peters: Vi nas entrevistas anteriores a questão da mentalidade, com a qual também concordo ser o maior desafio. Eu queria acrescentar a falta de fé. Encontro pessoas que simplesmente não acreditam em autonomia, auto-organização e agilidade. Não as culpo: é difícil acreditar sem ter experimentado. Em meus treinamentos, afirmações como "na minha empresa isso jamais funcionaria" ou "meu chefe é que deveria ter vindo para esse curso" são frequentes; lá eu consigo endereçar os anseios e responder. Mas para muitos, agilidade é um paradigma muito distante, quase fantasioso. Agentes de mudança na organização precisam de coragem... e paciência.

P: Na sua opinião, qual o maior desafio para um Analista de Negócio ao atuar na perspectiva Ágil?

Peters: Extrair o que agrega verdadeiramente valor na iniciativa, sem dúvida. Isso perpassa várias camadas de abstração, seja atuando no C-Level das organizações ou junto aos times, a forma de comunicar e criar registros adequados do que representa valor, varia de forma extraordinária, em essência e nível de detalhe. E, antes que essa comunicação seja possível, é preciso ainda articular o acordo entre todas as partes interessadas sobre o que representa valor em um determinado contexto. Analistas de Negócio são essenciais para o sucesso sob essa perspectiva.

P: Qual sugestão você daria para uma empresa que estivesse iniciando um projeto utilizando métodos Ágeis?

Peters: Não faça sozinho. Capacite as pessoas e procure mentores ou coaches de sua confiança. Entenda que se trata de uma jornada, não de um projeto de seis meses a um ano. Não adote um modelo de agilidade em escala antes de experimentar com projetos-piloto e aprender como eles. Agilidade passa por revisitar as lacunas e os gargalos de sua organização à medida em que vão aparecendo, gerando soluções que permitam uma melhor qualidade de problemas, mas esses não desaparecem. Seguir modelos pré-fabricados de mercado ou se comparar com o Spotify, Google ou Facebook não faz sentido, pois ignora o seu contexto, suas vulnerabilidades, e o que você pode alavancar com suas forças. Fechando: entenda que você precisa do buy-in das pessoas, e não somente da liderança, pois elas é quem farão a diferença quando os obstáculos começarem a aparecer.

P: Qual foi a maior lição que você teve no último ano?

Peters: Aprendi que uma ou duas pessoas na posição errada dentro de uma organização são capazes de impedir que qualquer transformação aconteça com relativa facilidade. A variável da política organizacional é uma constante, com a qual precisamos aprender a lidar, mas se você realmente quer ser efetivo, precisa encontrar uma forma de convencer a alta administração das vantagens de uma nova abordagem. O problema é que para algumas dessas pessoas, autonomia e a auto-organização desafiam o status quo e iniciativas que questionam ou desafiam o status quo ou o modus operandi vigente podem ser consideradas, por vezes, um ataque pessoal à identidade das pessoas que lutaram para vencer e chegar lá no paradigma anterior. Sad, but true. Tenha certeza que as pessoas que são críticas para o sucesso da iniciativa estejam à bordo. Se não for o caso, prepare-se para mitigar ou contingenciar os riscos relacionados à dificuldade em realizar um gestão efetiva das partes interessadas.

P: Alerta de spoiler: Por favor, você poderia adiantar e nos descrever algum ponto de sua palestra para o BA-DAY 2018?

Peters: Seu backlog é um artefato crucial para o sucesso de um projeto baseado em agilidade. Mantê-lo em um bom estado, priorizado, estimado, e com refinamentos contínuos do entendimento de negócio é o desafio. Vamos tocar onde dói. Onde dá preguiça de escrever. Onde todo mundo diz, "já entendi"; e depois dizer que "não tinha entendido assim" durante uma demo ou retrospectiva. Os critérios de aceitação desafiam o que está sendo proposto na história, mas tornam nítido o que é valor a ser entregue. Essa nitidez faz toda a diferença para a equipe e para o projeto: vamos ajustar o foco das suas histórias de usuário com ideias práticas sobre como enfrentar esses desafios. Espero vocês lá!

 



 

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